sábado, junho 04, 2005

Portugal actual/mente

Face à situação que vivemos hoje em Portugal e quando nos tentam fazer crer que temos todos, (sem excepção) que pagar a crise, não resisto a reproduzir aqui parte de um poema que, sem grande esforço, pode ser adaptado à nossa realidade.

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

A implosão da mentira
Affonso Romano de Sant'Anna