sexta-feira, março 24, 2006

Desemprego

Foram anunciadas novas medidas de combate aos desempregados. Não, não é erro! As medidas visam combater os desempregados e também as estatísticas, que servem para aquilatar do bom desempenho, deste ou qualquer outro Governo. Se a política de desemprego tivesse como objectivo primeiro a defesa do emprego, estaria focalizada a montante, isto é, nas empresas, não permitindo que estas utilizassem argumentos falaciosos para se verem livres de trabalhadores, como seja o famoso mútuo acordo, com base na extinção do posto de trabalho. Fundamentado nessa prerrogativa, o empregador põe na rua quem quiser, sem necessidade de invocar “justa causa”, mesmo que se trate de alguém que dá mais à empresa do que à própria família. É claro que esse posto de trabalho, acaba sempre por ser ocupado por alguém, com poucos ou nenhuns direitos adquiridos. É ilegal, dirão alguns! Seria, se a categoria se mantivesse ou se o empregado, muitas vezes recém promovido, se manifestasse. É claro que não acontece, nem uma coisa nem outra.

Voltando às estatísticas. Sempre que um desempregado vai para formação, é-lhe suspensa a inscrição, uma vez que está tecnicamente impedido de trabalhar. Até aqui tudo bem. O problema é que acabada a formação a inscrição não é reactivada, sem que o próprio lá vá solicitá-lo, sem que disso tenha conhecimento prévio. Porquê? Não sei, mas imagino. Continuam a pagar o subsídio, mas têm menos uns quantos a “atrapalhar” as estatísticas. Também ajuda a perceber o afinco com que os funcionários do IEFP, enviam para formação, “quem lhes aparece na lista”.

Para terminar, a frase slogan, dita por aqueles que nunca estiveram no desemprego: “são uma cambada de malandros”. Se há polícias presos pelas mais diversas ilegalidades, advogados acusados de burlões, patrões sem escrúpulos, políticos a contas com a justiça, etc., é claro que há desempregados desonestos. Porque carga de água, neste inferno, haviam de ser todos “santinhos”!?